Tu vai sozinha?

Ha muito tempo que penso sobre isso, um daqueles assuntos meus favoritos para especulação antropólogica, teorias mentais, daqueles irresistíveis para um blog. Eu dizia que na minha experiência, uma das grandes vantagens que a sociedade norte-americana ainda possui sobre a brasileira é a maior possibilidade que tem a mulher de sair sozinha para beber uma cerveja, almoçar, jantar, tomar um café. Evidentemente, não é uniforme no país todo, e com certeza será mais comum em Los Angeles, San Diego e Nova York que no Canada ou no Alaska! Mas, no geral, ainda é infinitamente mais comum la do que aqui, acredito eu.

Há o problema da violência, é claro. Eu imagino o receio que deve sentir uma mulher de sair sozinha no Rio de Janeiro, hoje em dia, para jantar. Mas abstraindo a questão da violência – se é que é possível abstrair esse albatroz gigante e onipresente na sociedade brasileira --, interessa-me a questão da aceitabilidade do ato. Estou interessado em saber mais um pouco sobre o desconforto que sente ou não uma mulher brasileira, casada ou solteira, não importa, ao ter vontade de simplesmente ir até um restaurante, sentar-se, consumir bebidas e comida, pagar e ir embora.

Falo por mim. Adoro reunir gente, mas também gosto muito de sair só. Preferencialmente, vou ao cinema sozinho. Já perdi a conta de quantas vezes fui a estádios de futebol, especialmente o Beira-Rio, sem acompanhantes. Sempre que chego a uma cidade estranha, meu primeiro impulso é telefonar para os eventuais amigos, com eles acho mais facil de descobrir a cidade, mas concordo plenamente que se eu sair sozinho e explorar a cidade a pé, é o melhor jeito de sentir a urbe.

Em Porto Alegre, sei que é muito raro encontrar mulheres sozinhas "literalmente" (sem amigas) em bares, restaurantes ou cafés. A percepção que tenho é que isso é um pouco mais comum em São Paulo que no Rio de Janeiro. Mas que, no geral, ainda é muito desconfortável para uma mulher brasileira ter esse prazer tão simples – o de uma refeição ou uma bebida desacompanhada.

Além da violência, que é um fator chave, você percebe desconforto ou discriminação ao sair sozinha? Ou você nem tenta?

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